25/12/2020
02/11/2020
VIVA LA MUERTE!
Há algum
tempo vi um filme em preto e branco em que os personagens acabam no México, em
pleno carnaval. Bem, carnaval era o que eu pensava. Havia música, desfile,
fantasias (que achei um tanto macabras), mas o desenrolar me esclareceu que se
comemorava el dia de los muertos.
Os
mexicanos, principalmente os nativos, entre o fim de outubro e início de
novembro recebem seus parentes e amigos falecidos que voltam à terra para
confraternizar. Não sei como se dá, exatamente, esse encontro mas, em todos os
casos, revela uma faceta peculiar de se encarar a Velha-da-Foice que está numa
das esquinas, aí pela frente, esperando cada um de nós para o seu rebanho.
O escritor
mexicano, Nobel de Literatura, Octavio Paz disse: A morte não nos assusta porque a vida já nos curou dos medos. E: A confusão incongruente de atos, arrependimentos e esperanças, que é a
vida de cada um de nós, encontra na morte não sentido ou explicação, mas um fim.
Essa
tradição pré-hispânica não tem origens claras e perdeu genuinidade com a
intervenção da Igreja Católica, sempre pronta a impor sua crença a ferro e fogo
e muita morte, não tão bem humorada. Houve necessárias adaptações.
Simone
Andréa Carvalho da Silva, coletando dados para sua tese de doutorado, escreveu
interessante artigo numa revista Planeta:
A familiaridade com que o mexicano trata a morte não o isenta de
temê-la, mas o ajuda a conviver e sobreviver a esse medo. Desde cedo as
crianças devoram avidamente as caveirinhas feitas de açúcar, bala de goma,
chocolate ou amaranto, pães dos mortos e todo tipo de guloseimas servido a um
fausto banquete de vivos e mortos. Assim, acostumam-se ao contato com uma morte
brincalhona e companheira, personificada em bonecos-caveiras de papel machê.
A vinda dos
mortos é disciplinada. No dia 30/10 voltam os suicidas, no dia 31, os
acidentados, em 1.º de novembro as crianças e dia 2 os adultos. Coloca-se uma
jarra de água e uma tolha na entrada da casa para o morto se refrescar de sua
longa viagem ao mundo dos vivos. Nos banquetes, os falecidos têm preferência e
se servem primeiro.
Há dança,
música, representações teatrais, concursos de altares, comilança e beberagem. E
um costume que acho que seria aplicável com muita propriedade no Brasil: as calaveras políticas, tradição que consiste
em escrever epitáfios humorísticos de políticos e pessoas públicas.
Não me
contive e escrevi alguns. Lula: Foi
presidente do Brasil e nunca soube. Zé Dirceu: Morreu antes de ter morrido. Olívio Dutra: Aqui se espraiam os restos da minha cidadania. Teria outros, mas o
espaço é curto.
No final do
fandango os mortos voltam a seus lugares. Os vivos os acompanham para evitar
que fiquem vagando para sempre neste mundo cruel ao qual, certamente, não mais
se adaptariam. Pois, como dizem lá: ao
vivo, tudo lhe falta; ao morto, tudo lhe sobra.
Publicado no blog antigo em 02/11/2005
08/07/2020
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04/04/2020
EM BRASÍLIA SEM LULA, MAS COM GLAUCO E FAMILIARES
12/03/2020
08/03/2020
PARABÉNS, MULHERES!
28/02/2020
UM MONGE
![]() |
| Ilton Carlos Dellandréa |
24/02/2020
EM ALGUM LUGAR DO NORTE DISTANTE E SELVAGEM
“Somewhere in the Distant Wild North”, da série de poemas 1933,
publicada em Nova Ukraïna entre 1942 e 1943,
traduzida pelo Congresso Canadense-Ucraniano, Filial de Toronto.
A Fome Vermelha: A Guerra de Stalin na Ucrânia.
Record. Edição do Kindle.
17/02/2020
A CRUZ
O milho começa a madurar
31/08/2010
Olhar desperto
![]() |
| Alberto Cohen |
Desejo ser ladrão ou justiceiro,
de algum jeito total, definitivo,
de bom, de mau, mas que me faça inteiro,
um monstro, um santo, que inda está bem vivo.
E ver as coisas que podem ser minhas,
e as minhas coisas que há muito não vejo,
todas aquelas coisas que sozinhas
esperam ser roubadas para um beijo,
ou apenas notadas tão vizinhas.
Desejo ser a vida observando
tudo, tudo que o mundo nos oferta,
um ladrão que somente vai roubando,
ou santo cujo olhar enfim desperta.
13/11/2009
EVOLUÇÃO SOCIAL
CERTAS MODIFICAÇÕES SOCIAIS DÃO O QUE PENSAREstranhas as transformações por que passa o mundo e mais estranha ainda a forma de as pessoas encararem certos fatos hoje. E as formas de se ganhar dinheiro também se modificaram substancialmente.
A Cicarelli e o namorado foram filmados fazendo sexo numa praia. Ficou por isto mesmo. Estavam trepando, mas se diz que faziam amor (Ah, o amor! Está na hora de alguém ensinar a essa gente que amor se sente e se vive e não se fabrica mecanicamente como uma masturbação a dois). A liberalidade do brasileiro admite essas coisas como permitirá, em breve, macacos nas praias, como mostra o filme Turistas que estão querendo boicotar porque mostra um Brasil mais real que o real e isto revolta a nós, habitantes desta honrada e cristalina Nação.
Isto se os macacos concordarem e suportarem a sujeira que os humanos fazem nas praias, como os que entram na água só para dar uma mijadinha, sem contar os esgotos a céu aberto, sabugos de milho verde, latinhas de cerveja, cocô de cachorro (se estes são admitidos e exibidos por seus donos, por que não macacos?), etc.
Mas o caso da Cicarelli e do namorado é inusitado. Ou não? Acho que não. Mas eu, se sair pelado na rua aqui no recantozinho do meu bairro, serei processado no mínimo por ultraje público ao pudor. Por quê? Porque com 55 anos, gordo, meio careca e nu na via pública minha conduta só poderia mesmo ser considerada indecorosa. Já a Cicarelli e o namorado são aceitáveis porque são bonitos e podem praticar um falso naturismo numa praia pública.
Agora a Juliana Paes vai processar o fotógrafo Marcelo Pereira porque ele bateu uma foto dela sem calcinha. Ela usava uma saia curtinha e deve ter tomado a cautela necessária para mostrar exatamente aquilo que o fotógrafo fotografou. A coisa está ficando cabeluda para o lado dele que é acusado de montagem fotográfica. Montagem, nesse assunto, é bom.
Pode até ser e então o fato será efetivamente grave e autoriza à sem calcinha com calcinha processar aquele que viu o que estava sendo exposto por debaixo do pano porque os paparazzi existem mesmo para amolar as pessoas batendo fotos delas em situações quanto mais embaraçosas melhor.
Mas para a dona do Bar da Boa, que já exibiu a bunda em comerciais de cerveja – só faltou mostrar mesmo aquilo que o jornalista fotografou ou montou – andar sem calcinha parece natural. Bater a foto, que não é nada indecente, é antinatural. Uma tendência geral: o crime não é comprar o dossiê de Cuiabá, é mostrar o dinheiro apreendido... Uma coisa bem petista. E eu ainda me impressiono com essas mudanças... Sou muito ingênuo.
E se o baixinho da Kaiser resolver andar só de cuecas, daquelas abertas na frente (acho que combina com o tipo dele) e o pingolim saltar e alguém bater uma foto, quem vai ser processado? Ele ou o fotógrafo? É uma incógnita. Eu que lidei com o Direito a vida inteira, a estas alturas nem sei se valorizo mais Código de Ética do PT ou a Constituição Federal. Aquele, pelo menos, é estável.
Na verdade, tudo depende do dinheiro e cada um vai ganhando dinheiro como pode. As celebridades bonitas posam nuas para a Playboy em posições ginecológicas e isto é normal. Fotografar casais que buscam publicidade fazendo sexo na praia, não.
A Juliana Paes disse que, se ganhar a ação, vai doar o dinheiro para o Retiro dos Artistas. Uma boa ação. Mas um velhinho, lá, entrevistado pelo Jus, disse que preferia ver a foto mesmo. Até para tentar se lembrar para que serve a anatomia fotografada.
10/10/2009
MINHA VIDA DE PRESO, DIGO, DE APOSENTADO
Estou frustrado com a condição de aposentado. Minha cidadania foi atingida cruel e impiedosamente. Até um preso tem mais direitos do que eu. É só conferir os artigos 38 a 43 da Lei de Execuções Penais que tratam dos deveres e dos direitos do preso. Confiram, para ver se não estou falando a verdade. Os regulamentos dos presídios lhes dão ainda mais benefícios.Agora eles estão exercendo um não previsto na lei: o de fazer greve, uma greve de fome porque, ao que parece, estão descontentes com o reforço na segurança penitenciária. Eles têm direito a três refeições por dia e outros benefícios que não tenho e se queixam da segurança.
Eu estou doido para que reforcem a segurança do meu bairro. Na madrugada de domingo larápios furtaram um segmento de fio-de-cobre que transmitia energia elétrica para minha casa e fiquei pendurado numa fase só e vândalos derrubaram uma placa de sinalização na esquina.
Mas se fizer greve de fome serei ridicularizado. Seria como a do senador Paulo Paim, há alguns anos, quando o salário-mínimo contrariou suas expectativas. Durou cerca de duas horas. E ainda mais ridícula que a do Garotinho, que no início do ano fez greve de fome para merecer melhor atenção da imprensa que, segundo ele, o tratava de forma injusta.
Não posso dizer que ele estava errado na causa. A imprensa às vezes é injusta, mas os donos de jornais e os jornalistas, numa greve de fome contra eles, torcem para que ela continue e se o grevista morrer terão assunto para abastecer seus veículos por um ou dois dias. Talvez três.
Quanto à greve dos presos fico ainda mais frustrado vendo que eles podem se alimentar de bolachas e açúcar sem ser acusados de furar a greve (aqui). Eles foram flagrados nessa situação, inclusive o Marcola. É uma greve de fome branca – e o pão e o açúcar estão aí para reforçar a idéia.
Eu deveria tentar o mesmo. Comendo apenas o necessário para sobreviver, talvez emagrecesse. Mas então minha greve seria considerada uma simples dieta de emagrecimento e, por isto, improdutiva. Meu cardiologista ficaria satisfeito, principalmente agora que ele comprou uma balança nova, sofisticada, digital, que aguçou o meu espírito consumista.
(Sou assim: não fumo, mas vejo em bazares isqueiros tão bonitos, com design sofisticado e atraente, que tenho vontade de fumar só para me exibir com um deles. Também não me peso, mas a balança do meu médico é uma beleza. Vou comprar uma nem que seja para decorar a mesa de centro da sala de estar. Ela tem estilo e servirá de apoio para copos. Poderei controlar quantos quilos de bebida meus convidados ingerem).
Os aposentados vivem – digamos assim – em estado permanente de inércia compulsória, embora haja os que façam bicos aqui e ali por absoluta necessidade financeira. Mas cogitar de voltar a trabalhar como greve para melhorar vencimentos é um absoluto contra-senso.
Já uma greve de fome de aposentados seria tudo o que o Governo gostaria que ocorresse: a maioria é idosa e adoentada, não resistiria muito tempo e morreria, contribuindo para reduzir consideravelmente o déficit da Previdência Social.
Agora estão defendendo o direito de preso votar (aqui), através de mais um remendo, digo, de mais uma emenda constitucional. Se aprovarem a medida, os aposentados estaremos em posição de definitiva genuflexão social. Porque, como os presos, não trabalhamos, vivemos trancados em casa (ao contrário deles, não temos segurança, nem simples nem reforçada), compramos nossa própria comida e nos é subtraído o direito de fazer greve (da branca ou da outra), entre outras diferenças e semelhanças, sempre favoráveis a eles.
Só falta nos proibirem de votar.
03/10/2009
MAIS UM CAPÍTULO DE MINHA BRIGA COM A BALANÇA
O hábito de comer mais frutas e vegetais e de fazer exercícios físicos pode aumentar a expectativa de vida de uma pessoa em até 12 anos, segundo um estudo feito pela Universidade de Cambridge (aqui).Só? Estou decepcionado. Pensei que a observância dessas e de outras regras que todos os dias jogam – hoje não estou propenso à escatologia – na nossa cabeça, se não nos desse a vida quase eterna, pelo menos nos levasse a viver aproximadamente, na contagem moderna, o tempo que viveu Matusalém (a vida – ou não-vida – eterna já nos está naturalmente assegurada).
Claro. Não há hoje quem viva tanto quanto Matusalém viveu. Mas eu acreditava que isto se devia exatamente ao fato de a maioria das pessoas não observar bons hábitos alimentares. Ninguém é lúcido o suficiente para se alimentar somente de frutas e vegetais. É preciso uma adequada mistura de carboidratos e de suculências como, por exemplo, uma picanha mal passada.
A pesquisa abrangeu cerca de 22 mil pessoas, entre 45 e 79 anos. Quer dizer: mesmo os mais idosos estão na casa de 79 anos. Eu, embora fibrilado, espero chegar um pouco além do que já cheguei. Mas se seguir essas prescrições corro o risco de comemorar(?) 130 anos: não sou hipertenso, não fumo, não bebo, sou apenas semi-sedentário (estou autorizado por meu cardiologista a correr religiosamente 200 m sem barreiras por dia, em uma hora), meu colesterol está controlado – ou estava, conforme veremos. Apenas – sempre tem um apenas – sou o que o meu médico chama bondosamente de gordinho...
Há algum tempo publicaram uma pesquisa dizendo que o chocolate, em pequena quantidade, reduz o colesterol (aqui). Mas nesta pesquisa ele – assim como o refrigerante – é impiedosamente fulminado.
O colesterol é um capítulo à parte na vida de todo gordinho. Já narrei meus dissabores com ele aqui, em 20/12/2005 (no meio da página): sempre que conseguia baixá-lo adequadamente uma nova resolução da CUUMI (Confederação Ultra-Universal de Medicina Iatrogênica) os reduzia. Daí a minha constante dessintonia com os níveis de colesterol: a má vontade dos indicadores.
Agora mais uma: a Veja de 01/11/2206 traz uma reportagem (Bom de Coração, página 122) em que informa que para o LDL (o mau colesterol) hoje o limite aceitável é de 160 (miligramas por decilitro de sangue, e que até há pouco era de 200) para quem não apresenta outros fatores de risco.
Pior: uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, questiona a recomendação de que o ideal seja um LDL menor do que 70... Pior ainda: para atingir um patamar tão baixo, além da dieta balanceada e dos exercícios físicos, só mesmo recorrendo ao uso de remédios, sobretudo as estatinas.
Dieta balanceada, exercícios, peso adequado, vida regrada, não bastam: temos que ingerir remédio para ser saudáveis mesmo que não sejamos doentes.
Na minha situação a ingesta de mais um remédio seria mais maléfica que benéfica: não pelos seus efeitos, mas porque me alimento de remédios. A comida normal é apenas um complemento alimentar.
Analisei a composição das drogas que uso. Todas trazem nos excipientes (a base que segura as substâncias ativas) altas doses de amido (principalmente de milho), lactose e até glicose.
Como é que vou emagrecer ingerindo substâncias tão terrivelmente calóricas?
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19/09/2009
HONNI SOIT QUI MAL Y PENSE!
Ainda bem que temos bem fiscalizados, aqui no Rio Grande do Sul, a Moral e os bons costumes. O que seria de nossa televisão, dos comerciais, das novelas, dos seriados não fosse essa atividade fiscalizadora? Pornografia pura.Mas a Idade da Luz de Néon está aí para demonstrar que qualquer mínima possibilidade de atingir esses dois conceitos está fora de cogitação.
Na Comarca de Panambi a Promotora da Infância e da Juventude, Caroline Mottecy de Oliveira, obteve liminar da Justiça impedindo a venda da Baby Assadinha, fabricada pela Cotiplás, de Laranjal Paulista (SP), destinada a crianças de 3 a 5 anos de idade (fonte: ZH de 01/11/2006, pág. 50).
A Baby Assadinha – essa voluptuosa e sensual boneca aí em cima – apresenta manchas vermelhas na região genital e sensores (atenção revisão: é sensores mesmo e não censores): quando se molha as assaduras com água quente, ela chora; com água fria, ela ri. Atenção: não se trata de miniatura daquelas bonecas infláveis vendidas em lojas especializadas.
Mas a Promotora entende que a localização dos sensores atrai a atenção das crianças para a área genital que, por isto, se concentram nessa região, estimulando precocemente sua sexualidade, “mesmo sem elas saberem”...
Quer dizer: os órgãos genitais para uma criança de 3 a 5 anos devem ser considerados algo que elas carregam mais como um peso, algo sujo, um apêndice moralmente indesejável, do que como um órgão comum que, na sua idade, só serve para uma coisa: fazer xixi que, dependendo da idade e da higiene, vai provocar assaduras reais.
As mães que têm filhos pequenos, por isto, devem evitar de passar creme ou anti-sépticos nos órgãos genitais de seus bebês na frente de outras crianças. Isto poderia aguçar-lhes, mesmo sem que elas saibam, o senso erótico e produzir – imagino – alguma tara mais tarde.
Até acho que a boneca não é muito educativa. Banhar com água fria as assaduras de um bebê não é, realmente, um bom remédio. Tampouco com água quente. E esta poderia produzir ainda o indesejável efeito de provocar queimaduras em crianças. Mas daí a dizer que essa brincadeira tenha algum cunho erótico ou de erotização há uma distância muito longa.
A psicóloga Roberta Cavalheiro Haushahn, do Serviço Sentinela – que protege crianças e adolescentes vítimas de violências física, psicológica e sexual em Panambi –, entende diversamente:
– A criança pode pensar que se para uma boneca é interessante tocar na região genital, para ela ou o coleguinha também pode ser.
O “o” coleguinha aí é que me surpreende um pouco. Quer dizer que a boneca seria destinada também a meninos? Ou que meninas que brincassem com as bonecas tentariam, depois, fazer o mesmo com meninos? Ou tudo isto estaria açulando as crianças a “brincar de médico”, algo que a Psicologia já demonstrou ser inofensivo?
Acho que está sobrando imaginação e faltando bom senso nessas conclusões. A reportagem diz que “Ana Lucia Guimarães, 47 anos, mãe de uma menina de 10 anos, é contra a proibição. Ela acha que quanto mais as crianças conhecerem o próprio corpo, melhor”. Também acho.
E me veio a mente o lema da Ordem da Jarreteira, criada em 1348 pelo Rei da Inglaterra, Eduardo III, após incidente quando ele dançava com a amante, a Condessa de Salisbury. Em dado momento caiu a liga (jarreteira) que lhe prendia as meias. O rei juntou-a e a devolveu à dona. Percebendo manifestações e risos maliciosos dos cortesãos reagiu com a frase: Honni soit qui mal y pense, ou: “maldito seja quem mal pensar”.
11/09/2009
LIVRAI-NOS DE TODO O MAL!

Publicada originalmente no blog Jus Sperniandi,
em 23/10/2006.
O papa da época era Bento XVI.
05/09/2009
MAIS CONFUSÕES ALIMENTARES
Estive confabulando com o meu coração e ele está desconsolado. Chora aos soluços descompassados pois, como todos sabem, é fibrilado. Ele anda triste e confuso. Muito confuso. Não é sem razão que ele é completamente arrítmico.Primeiro foi a crise da gordura saturada. Ele, que desde a infância estava acostumado a comidas gordurosas como nata, lingüiça frita na banha de porco ou no “azeite doce”, morcília (da branca e “da outra”) e principalmente ovos, teve que deixar de lado tudo isto e passar a ingerir algo como margarina – que no início era intragável – e alimentos leves, evitar lingüiça e principalmente a banha de porco, o azeite e as próprias frituras.
Surgiram óleos de soja, gordura vegetal, inicialmente saudados como a solução para a aterosclerose. Mas também se revelaram prejudiciais. Então o azeite Mazolla, de milho, sem colesterol, cuja marca transformou-se na própria substância. A gente, no mercado da esquina, pedia um Mazolla e já se sabia o que era. Recentemente surgiram óleos sem colesterol e se descobriu que o azeite de oliva, ao contrário dos outros, faz bem ao coração fulminando o colesterol ruim e ativando o bom (não sei até quando essa verdade vai prevalecer, mas ainda está na moda).
No tempo em que a gordura animal era um veneno admoestei meu pai, cardíaco desde os 36 anos, safenado, e já nos seus 60 anos de idade. Estava diante de um rico prato de comida e eu:
− Mas pai! Comendo isto tudo?
− Ah! − respondeu. Uma vez por dia não faz mal.
Depois do almoço, conversando a respeito ele confidenciou um tanto triste que se fosse atrás de tudo o que os médicos lhe diziam já teria morrido de fraqueza. Não levou muito tempo e ele faleceu, mas pelo menos não de fraqueza.
Agora nova mudança no mundo alimentar. Depois de expulsar de nossa dieta as gorduras animais combate-se as chamadas trans, ou vegetais transformadas, que seriam ainda piores: além de provocar a famosa “barriga de cerveja” (algo completamente despropositado, pois se come pão todos os dias e se culpa a cerveja do fim de semana) estimula a produção do colesterol ruim.
Mas nosso atento Governo tomou uma providência séria: de agora em diante todos os alimentos com gordura trans trarão no rótulo a quantidade dessa gordura, como acontece com outros itens calóricos.
Isto é bom. Faz bem. Você sabe quanta gordura trans está ingerindo na margarina, no pão, nos biscoitos, na massa, por aí afora. De agora em diante vai saber.
Não tomo Nescau, de nenhum tipo, mas apenas de curioso acessei o site da Nestlé para ver a diferença do Nescau Prontinho comum e do Nescau Prontinho Light. Não consegui distinguir qual é o menos pior. No light foram retiradas várias vitaminas.
Por isto meu coração e eu estamos confusos, apesar da boa intenção do Governo em nos esclarecer. Estou pensando em, de agora em diante, deixar os alimentos nas gôndolas, trazer o rótulo e me alimentar deles.
Só vou aguardar que o Governo mande informar o grau de nocividade da tinta usada na impressão.
Publicada originalmente no blog Jus Sperniandi,
em 22/08/2006.
29/08/2009
JUIZ MALUCO OU INSPIRADO?

22/08/2009
MAIS UMA FRUSTRAÇÃO CONSUMISTA
Mais uma vez saí às compras e mais uma vez voltei de mãos abanando (pelo menos, desta vez, de pés calçados).Já narrei aqui minha frustrada investida no mundo do consumo em 01/10/2004, no post Saí às Compras e não Pude Torrar a Grana, quando saí disposto a gastar uma grana preta para incrementar meu sistema de áudio e vídeo e acabei comprando apenas um gravadorzinho de R$ 100,00, em três vezes no cartão.
Ontem minhas pretensões eram mais modestas. Como há tempos não venho praticando exercícios, encontrei – foi o que pensei – a esteira dos meus sonhos. Fabricada pela Life Fitness, é um equipamento de ponta para quem acha que andar na esteira é muito monótono.
Até não acho. Antes de minha fibrilação cronificar eu andava regularmente uma hora por dia. Nessas andanças sem sair de lugar visitei inúmeros locais do Brasil e do mundo e muito do que publiquei no início do blog surgiram nessas caminhadas de cabeça fria e sem forçar pensamentos.
Aliás, foi para isto que comprei o gravadorzinho. Eu andava e gravava as idéias que surgiam que depois eram transformadas em postes (não gosto do plural posts, como muitos usam, e sei que o meu esclarecido leitor não vai confundir postes com postes: o primeiro é plural de poste e o segundo de post, apenas para não deixar dúvidas).
Mas eu dizia que saí para comprar a esteira dos meus sonhos: a 95Te, uma esteira com monitor de LCD com ligação para TV a Cabo, conforme se pode vislumbrar da gravura muito mal escaneada acima extraída da coluna Cobiça (nome apropriado para o caso) de Carlos Sambrana, em IstoÉ Dinheiro de 05/07/2006.
Ela é tão moderna que nem consta do site da Life Fitness, embora eu não seja a pessoa mais indicada para pesquisas na Internet: geralmente não acho o que busco, a não ser numa segunda oportunidade quando procuro outra coisa.
Pensei até em fazer adaptações para tornar a minha caminhada ainda mais cômoda por causa da fibrilação: como os dois braços da esteira são bem compridos, ataria neles uma míni-rede para que pudesse sentar.
Para aumentar ainda mais minha comodidade pensei em comprar um par de skatênis, esses tênis novos, de rodinhas, para que eu não precisasse nem articular os joelhos: sentaria, após ligar o monitor, ligaria a esteira e pronto. Claro, é mais fácil sentar num sofá e ligar a tevê. Mas tenho sonhos homéricos de consumo e bem-estar e aprecio coisas modernas.
O preço é salgado mas, de novo, me baseio em filmes americanos e agora também na vida brasileira: os caras não trabalham e estão sempre cheios da nota. Fora os que não fazem nada, a não ser viajar, e ainda assim duplicam seu patrimônio em menos de quatro anos!
Mas a esteira tem um inconveniente grave. O monitor é fixo e eu, sentado, não veria a imagem com nitidez. A tela não pode ser visualizada com perfeição inclinada para trás. Até colocamos uma cadeira para fazer o teste. Inútil. Mais uma frustração consumista.
Conclusão: desisti da esteira, passei numa loja de calçados e comprei um par de tênis comuns por R$ 89,90, em três vezes sem juros no cartão, para não dizer que não fiz nada na tentativa de voltar a fazer exercícios físicos e melhorar minha fibrilação, digo, meu coração.











