
Valem, para o ano que entra, os votos feitos abaixo, por ocasião do Natal.
Feliz 2008.
.

[591] — 28-8-1927



Chego a gostar narcisisticamente das minhas, pequenas, gordas e sardentas e com polegares indesculpavelmente atrofiados. Mas são as únicas que tenho.
Perdão àqueles que sentem atração, afetiva ou sexual, por pés. As mãos são muito mais comovedoras.
Mas para que não me tachem de parcial e para satisfazer a concupiscência daqueles apaixonados por pés deixo, abaixo, um detalhe de um quadro pintado pelas mãos da Ieda. Ele pode ser visto, inteiro, no Espelho sem Aço.


.
Há certos detalhes da vida que fazem, ou pelo menos permitem, pensar e sorrir. Há alguma coisa assim no casamento da Ieda e meu. Ou dela comigo, ou o contrário. Acho que é dela comigo, porque quando eu apenas iniciava falar de namoro — levei uns dois meses para conquistá-la — ela, que sempre foi muito objetiva e prática, já pensava em casamento e filhos... Quando percebi estava casado. Mas esta é outra história.
Ontem, para comemorar o fato de não termos mais crianças em casa, demos um presentinho para o Francisco, que tem 19 anos, e depois voltamos ao quarto para chorar. Quando as crianças crescem mais do que os pais se comemora assim.