sábado, outubro 03, 2009

MAIS UM CAPÍTULO DE MINHA BRIGA COM A BALANÇA

O hábito de comer mais frutas e vegetais e de fazer exercícios físicos pode aumentar a expectativa de vida de uma pessoa em até 12 anos, segundo um estudo feito pela Universidade de Cambridge (aqui).

Só? Estou decepcionado. Pensei que a observância dessas e de outras regras que todos os dias jogam – hoje não estou propenso à escatologia – na nossa cabeça, se não nos desse a vida quase eterna, pelo menos nos levasse a viver aproximadamente, na contagem moderna, o tempo que viveu Matusalém (a vida – ou não-vida – eterna já nos está naturalmente assegurada).

Claro. Não há hoje quem viva tanto quanto Matusalém viveu. Mas eu acreditava que isto se devia exatamente ao fato de a maioria das pessoas não observar bons hábitos alimentares. Ninguém é lúcido o suficiente para se alimentar somente de frutas e vegetais. É preciso uma adequada mistura de carboidratos e de suculências como, por exemplo, uma picanha mal passada.

A pesquisa abrangeu cerca de 22 mil pessoas, entre 45 e 79 anos. Quer dizer: mesmo os mais idosos estão na casa de 79 anos. Eu, embora fibrilado, espero chegar um pouco além do que já cheguei. Mas se seguir essas prescrições corro o risco de comemorar(?) 130 anos: não sou hipertenso, não fumo, não bebo, sou apenas semi-sedentário (estou autorizado por meu cardiologista a correr religiosamente 200 m sem barreiras por dia, em uma hora), meu colesterol está controlado – ou estava, conforme veremos. Apenas – sempre tem um apenas – sou o que o meu médico chama bondosamente de gordinho...

Há algum tempo publicaram uma pesquisa dizendo que o chocolate, em pequena quantidade, reduz o colesterol (
aqui). Mas nesta pesquisa ele – assim como o refrigerante – é impiedosamente fulminado.

O colesterol é um capítulo à parte na vida de todo gordinho. Já narrei meus dissabores com ele
aqui, em 20/12/2005 (no meio da página): sempre que conseguia baixá-lo adequadamente uma nova resolução da CUUMI (Confederação Ultra-Universal de Medicina Iatrogênica) os reduzia. Daí a minha constante dessintonia com os níveis de colesterol: a má vontade dos indicadores.

Agora mais uma: a Veja de 01/11/2206 traz uma reportagem (Bom de Coração, página 122) em que informa que para o LDL (o mau colesterol) hoje o limite aceitável é de 160 (miligramas por decilitro de sangue, e que até há pouco era de 200) para quem não apresenta outros fatores de risco.

Pior: uma equipe de pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, questiona a recomendação de que o ideal seja um LDL menor do que 70... Pior ainda: para atingir um patamar tão baixo, além da dieta balanceada e dos exercícios físicos, só mesmo recorrendo ao uso de remédios, sobretudo as estatinas.

Dieta balanceada, exercícios, peso adequado, vida regrada, não bastam: temos que ingerir remédio para ser saudáveis mesmo que não sejamos doentes.

Na minha situação a ingesta de mais um remédio seria mais maléfica que benéfica: não pelos seus efeitos, mas porque me alimento de remédios. A comida normal é apenas um complemento alimentar.

Analisei a composição das drogas que uso. Todas trazem nos excipientes (a base que segura as substâncias ativas) altas doses de amido (principalmente de milho), lactose e até glicose.

Como é que vou emagrecer ingerindo substâncias tão terrivelmente calóricas?


Publicado, originalmente, no blog Jus Sperniandi,
em 10/11/2006.

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