domingo, setembro 12, 2010

DE NOVO EM BRASÍLIA

Publicado em 25/02/2008, no blog Jus Sperniandi, no Uol.  
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Amanhã, todo cuidado será pouco. Sairemos de São Luís, passaremos por Brasília e pernoitaremos lá. Tive uma experiência desagradável na vinda, quando fui bras confundido com o Romero Jucá, lembram?

Por isto, todo cuidado será pouco. Estou com um friozinho na barriga. Dizem que o clima lá é pesado. Não o clima meteorológico, mas o político e social. É pesado para os honestos. Para os corruptos está sendo leve. Para eles, quando pior melhor.

Diante do precedente do meu disfarce anterior, que surtiu um contra-efeito, desta vez vou de cara limpa, disfarçado de mim mesmo. Pensando bem, é o meu melhor disfarce. Sou um ilustre desconhecido, é a primeira vez que passearei pela cidade, mas estarei bem acompanhado pelo Glauco, um amigo virtual de longa data, que morava em São José do Rio Preto e agora está em Brasília.

Espero que ele não me aproxime muito do Congresso, nem do Planalto nem mesmo do STF e STJ. Fiquei sabendo, de fonte segura, coisas horríveis sobre ministros das mais altas cortes de Justiça do país. Parece que a coisa é bem mais feia do que se diz por aí e vai mais longe do que a venda de acórdãos e liminares e concessão indevida de habeas corpus.

Há pouco tempo, por exemplo, a assessora de um(a) importante ministro(a) pediu para voltar ao Estado de origem por não suportar certos procedimentos escusos do(a) chefe. Se for verdade, estamos todos fuzilados e mal pagos. Daqui a uns tempos teremos todos que carregar a Justiça na cintura (como cantava Noel Guarany), e de grosso calibre, para as nossas próprias custas manter uma vida normal. Quando a corrupção ou a podridão atinge os três poderes do Estado é hora de repensar o próprio conceito deste.

Há um consenso de que acabar com a corrupção é impossível. Alguéns me disseram – e convivi, nestes dias, com gente que lida de pertinho com essas coisas – que é como enxugar gelo. A toalha gruda num lado e no outro verte água. E o gelo de nossa corrupção é bem maior do que os glaciares que Lula viu quando esteve, recentemente, na Antártida observando os pingüins que vão adornar as geladeiras novas dos pobres do país no seu estupendo programa bolsa-geladeira, referido no post anterior.

Mas na quarta-feira cedo já estaremos voando para Porto Alegre. As passagens foram compradas, inicialmente, para as 19,50 horas, mas, por via das dúvidas, consegui antecipá-las para as 10,35. Nunca se sabe o que nos pode ocorrer na Capital.

Não haverá tempo para contaminações indesejáveis nem o Glauco, tenho certeza, me levaria a ambientes em que isto pudesse acontecer.

Mesmo assim não me agrada passar pela Capital Federal mais tempo do que o necessário para lhe dar uma espiadela desconfiada e de esguelha.

Há certas coisas que a prudência recomenda evitar.

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Publicado em 25/02/2008, no blog Jus Sperniandi, no Uol.  
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