sábado, setembro 26, 2009

REFLEXÕES POÉTICAS E CHISTOSAS DE FACUNDO CABRAL

O Universo sempre está disposto a comprazer-nos. Por isto estamos rodeados de boas notícias. Cada manhã é uma boa notícia, cada homem justo é uma boa notícia, cada criança que nasce é uma boa notícia, porque cada criança que nasce significa que Deus ainda crê em nós, senão não seguiria mandando gente ao mundo. E mais: cada cantor é uma boa notícia porque cada cantor é um soldado a menos.

Minha avó dizia: deveríamos acabar com os uniformes que dão qualquer autoridade. Quê “carajo” é um general pelado? Ela tinha direito de falar deles porque foi casada com um coronel.

Este sim, há que se reconhecer, era um homem valente, somente tinha medo dos boludos. Um dia eu lhe perguntei por que, e ele me disse:

– Porque são muitos. Não há forma de cobrir semelhante frente. Por mais cedo que te levantes e por onde quer que vás já está cheio de boludos. E são perigosos, porque sendo maioria elegem até o presidente. E os há de toda categoria. Por exemplo: o boludo informático que é um boludo computadorizado; o boludo burocrático que é oficialmente boludo; o boludo otimista que acredita que não é boludo; o boludo pessimista que crê que é o único boludo; o boludo esférico porque é boludo por todos os lados; o boludo fosforescente, porque até à noite se vê que por ali vem um boludo; o boludo de referência: – Onde está Alberto? – Está ali, atrás do boludo de terno marrom. O boludo de sangue azul, que é filho e neto de boludos. E o mais perigoso de todos: o boludo demagogo que crê que o povo é boludo. Sim senhor.


O TIO PEDRO: O tio Pedro era o intelectual da família. Sabia tudo. Um dia lhe perguntei: tio, você que sabe tudo, qual é a diferença de uma mulher feia e de uma linda? Ele respondeu: dois copos. Uma vez lhe perguntei, tio, qual é a diferença entre os seios de uma mulher branca e os seios de uma mulher negra? Ele me disse: uma só. Os da branca saem na Playboy e os da negra na National Geographic.

O tio Pedro sabia que nos Estados Unidos os negros são boxeadores para poderem pegar os brancos legalmente. O tio Pedro sabia que o cura é um senhor a que todos chamam de padre (pai), exceto os filhos, que o chamam de tio. O tio Pedro sabia que um argentino é um senhor que sempre tem um problema para qualquer solução. O tio Pedro sabia que os uruguaios gostam de tango porque em cada tango morre, ou pelo menos sofre, um argentino. O tio Pedro sabia que um ecologista é um marxista reciclado. O tio Pedro sabia que um quarteto é o que resta de uma orquestra sinfônica cubana após um giro pela Europa.

Um dia esteve com a mãe do presidente. Ela disse: se eu soubesse que ele ia chegar onde chegou o teria mandado à escola.

Odiava as mulheres. Por isto dizia que as mulheres são piores que os ladrões, porque o ladrão te pede “a bolsa ou a vida” e as mulheres querem as duas. O matrimônio é a única guerra em que se dá as costas ao inimigo. Por trás de um grande homem sempre há uma grande mulher e por trás a esposa.

O tio Pedro nunca trabalhou. Odiava o trabalho, por isto desconfiava do comunismo russo. Me dizia: como queres que eu confie num país que tem a bandeira cheia de ferramentas?

Por isto, quando ele morreu, minha mãe escreveu em sua lápide: “aqui continua descansando o tio Pedro”.



Publicado originalmente no blog Jus Sperniandi,
em 08/11/2006.
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